Entrevista na Rádio Vizela

 

Entrevista na Rádio Vizela
Jornalista: Francisca Silva
link: https://www.radiovizela.pt/noticia-15-anos-da-coracao-azul-a-vontade-de-fazer-a-diferenca


15 anos da Coração azul: a vontade de fazer a diferença

A Associação Juvenil de Apoio aos Animais Coração Azul assinou, no passado sábado, 26 de setembro, o seu 15.º aniversário. Fundada em 2011, nasceu da vontade de um grupo de jovens de criar uma resposta de proximidade aos problemas relacionados com o abandono, a proteção e o bem-estar animal.

Ao longo destes 15 anos, sempre com um trabalho 100% voluntário, a associação tem desenvolvido ações de sensibilização, apoio e encaminhamento de animais, buscando dar resposta às situações de vulnerabilidade e, simultaneamente, alertar a população para a importância da proteção animal.

No Especial Informação, da Rádio Vizela, que foi para o ar a 19 de setembro, recebeu João Ferreira (JF), fundador, antigo presidente da direção e atual presidente da Assembleia Geral, e Patrícia Rodrigues (PR), também fundadora, antiga presidente da direção e atual primeira secretária da Assembleia Geral.

Como é que nasceu a Coração Azul? O que é que você levou, em 2011, a avançar com a criação de uma associação dedicada à proteção animal?

JF: Já se passaram 15 anos. Recordo-me perfeitamente de a Rádio Vizela também ser um dos nossos parceiros desde os primeiros dias de vida e do quão importante isso foi na marca de um território e de um nome que não se percebe logo que é de proteção animal, Coração Azul, mas que rapidamente se entrega pela comunidade.

A ideia surgiu muito de uma vontade de irreverência de uma juventude. Na altura, tínhamos 20 e poucos anos e alguns tinham 10, 11 e 12 anos. Muitos jovens que, perante casos de abandono na rua, de cães e gatos, não olhamos para o lado, não encolhemos os ombros, não assobiámos para o lado e não apontámos os dedos, dizendo que seriam outros os responsáveis ​​por fazer alguma coisa na sociedade. Juntamo-nos e, felizmente, conseguimos criar um grupo de cerca de 20 jovens; todos eles jovens, o que é curioso, e decidiram fazer algo e não estar à espera de que alguém o fizesse por nós. Essa foi a colocação de lá para cá. A Coração Azul cresceu e o que era realidade há 15 anos… hoje o mundo à nossa volta mudou. Já tivemos pandemias pelo meio e estamos hoje a festejar.

E a ideia de ser uma associação juvenil surgiu logo nessa altura ou acabou por acontecer pelas situações?

JF: Não temos o objetivo claro de ser uma associação juvenil. Inicialmente, discutimos a possibilidade de sermos uma espécie de braço de uma organização nacional. Havia muitas páginas da Sociedade Protetora dos Animais de Guimarães, de Vizela, de Santo Tirso, do Porto. O que percebemos é que, nesse grupo inicial de discussão, havia muitos idosos, muitos adultos, mas, no momento de avançar, só os jovens quiseram avançar e os adultos quiseram sair. Portanto, num grupo de 100% jovens, acho que fez todo o sentido criar uma associação juvenil.

Na altura, fomos muito bem acompanhados, inclusive pelo Diretor Regional da Juventude, em Braga, que nos incentivou muito a criar a associação e alertou-nos para o facto de podermos vir a ser a primeira associação juvenil do país com este ângulo de atividade. Havia até a intenção de criar, dentro do IPDJ [Instituto Português do Desporto e Juventude], fundos que nunca tinham sido criados ou pensados ​​para uma associação de jovens ligada à proteção animal.

Serem a primeira associação juvenil em Portugal dedicada à protecção animal trouxe, naturalmente, algum orgulho. Mas trouxe também responsabilidade?

JF: Orgulho, mas responsabilidade acima de tudo. Aliás, quem entra para o Coração Azul e percebe depois toda a orgânica que tem, a dificuldade que temos em termos de processos, de comunicação e de linguagem, percebe que isto é uma responsabilidade acrescida. Estamos verdadeiramente a formar líderes e jovens com uma capacidade de desenvolvimento intelectual muito acima da média, porque é uma coisa séria. Estamos a falar de vidas e de responsabilidades. (…) É um trunfo e temos orgulho de ter sido dos primeiros. Felizmente, houve mais associações a serem criadas. Abrimos aqui a caixa de pandora, partimos a pedra pela primeira vez… É um sentimento de responsabilidade.

Quando chegamos, quais eram os principais objetivos da Coração Azul?

PR: A ideia era dar um bocadinho de resposta àquilo que não existia, que não havia. Seria, de certa forma, dar um destino, um futuro aos animais que efetivamente estiveram na rua, muitos deles feridos e a precisar de tratamentos e cuidados. A primeira missão foi mesmo dar uma resposta a isso, através dos cuidados veterinários, do abrigo e, obviamente, acompanhá-los até à adoção.

A nossa repetição no início não era muita, porque éramos jovens, irreverentes. As pessoas pensaram: 'Eles querem fazer… são miúdos; daqui a um mês ou dois isto acaba. Porque é que vamos ajudar? Porque é que vamos apoiar?'.

Também percebemos que muitas vezes as pessoas adotam porque o animal é bebê, é fofinho, é pequeno, mas depois eles crescem e há outras responsabilidades, exigência de espaço, dinâmicas de passeio. Portanto, o primeiro objetivo era mesmo dar uma resposta ao que não existia. Podemos pegar um animal e dizer: 'Vamos mudar a sua história', porque não faz sentido olharmos, vermos o sofrimento e não termos resposta para aquilo.

Para quem ainda não conhece o Coração Azul, como é que podemos explicar, de forma simples, o trabalho que desenvolve atualmente?

JF: A Coração Azul é uma associação de jovens, mas que tem muito apoio de idosos, e a Coração Azul precisa de idosos, que se dedica à proteção animal. Concretamente, temos uma grande porcentagem de nossa carga horária dedicada a cuidar de cães e gatos. Logo desde o primeiro ano percebemos que o resgate, na altura, tinha uma legislação um pouco cinzenta nesse campo. Hoje em dia, o resgate é exclusivo das autarquias e das autoridades.

Dedicamo-nos ao cuidado de cães e gatos que, por algum motivo, acabaram na rua ou em famílias que não lhes são fornecidas dar o devido envio. Tentamos, através das redes sociais e dos nossos protocolos, encaminhá-los para famílias de acolhimento temporário ou definitivo e concretizar as adoções. Paralelamente, nunca deixaremos de apostar na sensibilização, porque percebemos que o flagelo do abandono animal continua presente. A única forma de mudar estatísticas é mudar pensando. É uma associação que vai às escolas, faz formações, estabelece parcerias e tenta criar dinâmicas com outras associações.

Temos também um dos projetos que nasceram logo desde o início, as Patinhas Carenciadas, através do qual damos apoio alimentar aos animais de pessoas carenciadas. Nesse contato com essas pessoas, também vamos sentir o pulso da comunidade e percebendo os riscos que existem, as ninhadas que crescem em pessoas que já não têm capacidade para cuidar de um animal e acabam por reproduzir mais. Portanto, a Coração Azul faz este trabalho animal, mas de forma multifacetada.

Ao longo destes 15 anos, ocorreram situações que vocês fizeram pensar: 'Foi por isto que criamos o Coração Azul'?

PR: Há várias situações, mas posso mencionar duas. Houve uma cadelinha que chegou até nós com bebês, a Alana, que, por acaso, ainda está conhecida e está disponível para adoção. (…) Na altura, foram quase todas adotadas. Dois ficaram, e já com cinco anos, entretanto, um foi adotado. Nós partilhamos o irmão que ficou com a mãe, até que, um ano depois, a senhora que tinha adotado um deles diz: 'Mas ainda não foi adotado? Como é que é possível?'. E acabou por adotar o irmão. Portanto, passado um ano, reuniu-se novamente parte da família.

A outra foi uma cadelinha que chegou até nós, a Jane, super grávida. Era uma cadela pequena que teve oito bebês, o que é muito rato. Foi com uma vontade nossa em casa, porque estava realmente extremamente grávida. E, entretanto, os bebês nasceram em cada dela e nós, em contato com a veterinária, damos todo o apoio possível. Transportá-la naquele estado já era muito arriscado. Foi uma mistura de emoções ver os bebés ao nascer, a primeira coisa a fazer… foi uma espécie de aprendizagem; ver como tudo funciona, a vida a nascer, os primeiros segundos, eles a respirar. Alguns deles foram adotados pelos próprios voluntários, porque ficaram ligados à história. Todos foram adotados e eram muito saudáveis.

E há também os momentos mais difíceis. Qual é, ao longo destes 15 anos, aquele que continua a ser mais difícil de enfrentar?

PR: Acho que os mais marcantes de todos são, talvez, ter de desistir da vida de um animal porque já não existe tratamento possível. (…) É sempre muito difícil, seja um animal que conhecemos no momento, seja um animal que nos conhece há meses ou anos. Acho que esse é o mesmo ponto mais difícil. A seguir, temos que dizer não aos pedidos que nos chegam porque, efetivamente, não temos capacidade de ajuda, no sentido de não termos um espaço disponível e seguro para o poder abrigado e dar os tratamentos necessários. Se não temos isso para garantir que vai ficar melhor do que está, acho que também não faz sentido assumirmos. Esses são os pontos mais difíceis desta caminhada da associação.


“A única forma de mudar estatísticas é mudar pensando”


Falamos muito de voluntariado. Qual tem sido a maior dificuldade em manter uma estrutura dessas?

PR: O compromisso é importante. Muitas vezes, sendo jovens ou sendo mais adultos, as pessoas pensam que é chegar, fazer festas aos animais e está tudo por aí. O problema é que não é só isso. Há todo o compromisso de dar o seguimento, o acolhimento, a alimentação constante, manter o acompanhamento veterinário em dia, ter uma agenda de vacinação, saber quando é que tem de ser feito, as desparasitações, a repetição de análises, animais que estão em tratamento, fisioterapias. Tudo isso é um compromisso semanal, mensal e anual.

Muitas pessoas têm dificuldade em se encaixar quando têm pouca disponibilidade. Acabaram por se encaixar mais em ações pontuais, como campanhas de coleta alimentar ou no projeto Patinhas Carenciadas, porque os animais acabam por exigir um compromisso anual. As disponibilidades também mudam ao longo do tempo. As universidades começam, o trabalho começa, os horários são outros… chegam os filhos, e dentro disso temos de nos ir moldando. Temos de ver o que há dentro da associação e o que podemos fazer para jogar com a nossa disponibilidade e os nossos horários. Mas, acima de tudo, temos que conseguir manter o compromisso.

Quantos voluntários tem atualmente a Coração Azul?

JF: Acho que somos mais ou menos com 20 voluntários, sendo que a disponibilidade vai ser sempre muito diversa. E esse é o nosso dinamismo. Hoje em dia, estar num Coração Azul não é apenas ter este gatilho motivacional de dar miminhos a cães e gatos. O que se passa muitas vezes na estrutura, principalmente nos fundadores e nos voluntários com mais tempo, é que precisamos desta dificuldade. Somos desafiados a aprender gestão, contabilidade, fiscalidade, direito. Muitas vezes há questões jurídicas duras. Temos de aprender a parte da veterinária. Temos de estar cada vez mais preparados para este novo mundo, em que a proteção de dados é cada vez mais exigente, em que a gestão de plataformas e a gestão de voluntariado nos exigem muito tempo.

É uma equipa que tem vários horários, várias competências e, por isso, talvez também tenha tornado o Coração Azul tão rico. Temos muitos tipos de pessoas e muitos tipos de personalidade. Às vezes temos de ser um bocadinho mais rigoroso ou mais frios em determinadas alturas, outras vezes somos amigos, mas acho que há um entendimento geral de que somos, por vezes, duros e rígidos internamente, mas depois unimos tudo quando o motivo é exterior. E eu tenho sempre muito orgulho em toda a equipe.

Sente que, hoje, a sociedade está mais consciente da importância animal do que esteve há 15 anos?

JF: Acho que sim. Quero crer que 15 anos de Coração Azul, intensivamente, a correr durante anos a fio as escolas, teve impacto. Jovens que tinham dez anos, hoje têm 25, portanto já são adultos. Quero acreditar que todo aquele nosso esforço voluntário, apoiado pelos nossos próprios custos, porque nunca recebemos um cêntimo por qualquer tipo de iniciativa enquanto voluntários, fez com que hoje a sociedade esteja melhor. Aliás, a lei mudou. Vizela hoje tem canil. Quando criámos a associação nem sequer existia isso e éramos dependentes do canil municipal de Guimarães. Há muita conjuntura que mudou para melhor e continuar a existir novas regras e novos desafios.

Apesar dessa evolução, continuam a existir comportamentos e problemas que te preocupam?

PR: É impossível chegarmos aos 100%. Já outras áreas são impossíveis e, na área animal, acho que capaz de ser um bocadinho mais difícil. No entanto, vamos ver que há uma evolução. Continuam a aparecer casos muito graves em Portugal, mas já há aquela sensação de denunciar. Há uns anos, se fosse um vizinho, pensei-se: 'Não posso, é o meu vizinho'. Agora já não. Já há canais de denúncia e as pessoas já não têm tanta preocupação. Também a nível dos cuidados com os animais penso que já há uma preocupação maior em promover as esterilizações, para evitar ninhadas, e colocar os microchips, que são fundamentais. Se um animal foge ou se perde, conseguimos identificar o dono. Há sempre aquela porcentagem de animais nas correntes, de animais ao sol e à chuva, e ainda há um caminho a percorrer.

E continua a existir também uma visão muito imediata de adoção, como se ter um animal não implicasse um compromisso de muitos anos?

RP: Sim. Temos muitas adoções que não são concretizadas porque, quando questionamos as pessoas se serão capazes de cumprir alguns requisitos, como a vacinação, que é obrigatória, ou promover uma esterilização ou castração quando o animal não é esterilizado, perguntam-nos logo quais serão os custos. Muitas pessoas não avançam por uma questão de preço. Não é que nos paguem a nós, mas é um custo que vão ter se adotarem um animal.

Também perguntamos pelas condições do animal: se há outros animais em casa, para onde é que ele vai. Se acolhemos um animal, se lhe damos todos os cuidados necessários, abrigo e tratamento, temos de saber que vai para um sítio seguro, para uma família segura, para um ambiente seguro. Muitas pessoas não gostam de ser questionadas e desistem logo nas primeiras mensagens. Ou nós cancelamos essa adoção, porque, não tendo ali um feedback positivo de que a coisa vai correr bem, a adoção nem sequer é concretizada.

João Ferreira: “Há sempre sonhos”


Olhando agora especificamente para Vizela, qual é a realidade que encontramos atualmente no terreno?

JF: Acho que o paradigma mudou radicalmente. Se olharmos para os 15 anos da criação da associação, o Coração Azul nasce sem um canil municipal em Vizela, sem uma linha de proteção animal clara ou divulgada, e nós tentamos minimizar os problemas, os flagelos que existiam na cidade de Vizela.

A cidade trabalhou com o canil de Guimarães e, portanto, todo o problema era, de certa forma, empurrado para Guimarães. Hoje em dia, o paradigma e o ciclo animal, e quando falo em animal envolve também a questão ambiental, porque é todo um complexo assente nos mesmos princípios ecológicos, mudou bastante. Já temos um canal, houve ampliação, já há uma estrutura e uma equipe e ferramentas para atuar. Acho que há autoridades muito mais preparadas e sensibilizadas para dar resposta. (…) Mas há um caminho a fazer, porque muitos dos animais que chegam até nós, vêm de outros concelhos. Se não tivermos uma atitude de entreajuda intermunicipal, inclusive entre associações, estes problemas quase que chegam à fronteira e passam de um município para o outro. (…) Há, positivamente, um caminho muito bom. Quero acreditar que muita da pressão que nós também causou algum impacto, mas acho que hoje temos também uma estrutura política que olha para esta causa com olhos diferenciados.

Quais são, então, os próximos passos do Coração Azul? Há novos sonhos para os próximos anos?

JF: Há sempre sonhos. Já são ideias de muitos anos. Não sei quando é que isto vai ser possível ou não, mas há sempre o desafio de termos cá em Vizela o primeiro Centro de Interpretação Ambiental. Acho que é um caminho muito engraçado de trabalhar ao nível da educação na sociedade. E depois há aquelas questões técnicas que precisam de outro tipo de estrutura. (…) Existem, às vezes, planos de emergência e planos de emergência animal em situações de catástrofes que é preciso prevenir antes que aconteçam no nosso território. Ou seja, se acontecer alguma coisa deste gênero, ligada à área animal, que respostas é que temos e quem é que atua?

O que significa estes 15 anos de Coração Azul?

PR: Acho que os 15 anos significam uma evolução. Foi a minha primeira experiência e eu cresci muito com a associação, no sentido da responsabilidade, do compromisso e de saber responder na hora certa. É importante saber que não podemos dizer sim a tudo. É importante também dizermos não, no sentido de mantermos o equilíbrio e a estabilidade. Daí também ser importante o nível pessoal, porque transportamos tudo isso para as relações familiares e para o trabalho. Então, para mim, foi um crescimento e uma aprendizagem. Embora goste muito de animais, e foi por isso que me interessei em me juntar, prazer de conseguir fazer mais, mas de fato, toda a aprendizagem que fica é importante. Quando uma coisa acontece, penso: 'O que é que posso fazer?'. Gosto muito de obter respostas às coisas. Então, para mim, nestes 15 anos, para além da aprendizagem e do crescimento, fizemos-nos mais responsáveis ​​e desempenho uma certa personalidade que, certamente, se não tivesse estado ligada a isto, se calhar não teria vivido.

JF: Eu acho que, pegando nas palavras da Patrícia, é um autêntico doutoramento de vida. E quando falo de doutorado, falo mesmo da parte acadêmica de desenvolvimento humano. Nós lidamos com todo o extrato de pessoas e temos de saber lidar com critério e com dor. Quando as pessoas têm dor, normalmente têm emoções muito mais à flor da pele, são mais agressivas. E nós, enquanto jovens, temos de saber que estes adultos, muitas vezes, estão a berrar conhecimento, mas não estão realmente a berrar conhecimento: estão em dor. E nós, quando conseguimos encontrar soluções para que não encontra soluções, só encontramos problemas, conseguimos desbloquear isso, a parte mental. Por isso, acho que sim, acho que tirei, e continuo a tirar, um verdadeiro doutoramento na Coração Azul; não é reconhecido em termos científicos, mas sinto que aprendi muito ao longo destes 15 anos.



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